..."estrelas estão sempre se apagando no céu"...

...e quando abro a página inicial da instituição onde trabalho, sempre há uma nota de falecimento lá. Que destino cruel... Em pensar que passamos a vida querendo sempre mais, lutando e lutando por aquilo que julgamos conveniente, e de repente, como um cometa em velocidade estonteante, kabum!, caímos por terra, e literalmente, a sete palmos abaixo da superfície... Não sei como é morrer, e creio que você também não, mas no fundo deve ser calmo... Apesar de depois de algum tempo um monte de bichos malditos infiltrarem a sua pele em busca do néctar vital que não mais sente, que não mais ama, que não mais vive... Carne e osso, disso somos formados, então porque insistimos no luxo, nos sentimentos, nos cabelos ao vento? Porque percorrer o mundo atrás de felicidade, de identidade, de realidade, se no fim tudo vai ser coberto com um monte de terra fria e úmida? Sempre me questiono quanto à vulnerabilidade humana, e me desconformo, me desmonto, me remôo e destroço quando não consigo parar de pensar nisso, exceto quando acordo jogado na cama, sem companhia e sem coberta. As pessoas solitárias não temem a morte. Elas temem o frio do inverno, a chuva lá fora, a lágrima solta... Pessoas solitárias não temem a morte, elas vibram em finais felizes, se botam em prantos em propaganda de plano de saúde, e até se desmantelam por mendigos educados, mas a morte não, elas não temem a morte. Morrer acaba se tornando a única saída: Solução. Mas pessoas solitárias não cometem suicídio. Suicídas são esquisofrênicos, e estes não são sós: Sempre tem um amiguinho imaginário por perto! Só quem chega em casa depois de um dia duro, sem nada pra fazer então, sem um corpo pra abraçar, com mil coisas a fazer, mas sem coragem pra tentar, sabe como é não temer o fim. O que não siginifica adorar a morbidez do juízo final, tampouco colecionar fotos de gente morta. Mas não temer a morte significa, sim, temer a vida... Ter medo de viver é como apostar alto num grande jogo, sem saber as possibilidades de perda ou vitória, mas ainda assim ter de torcer pra que no final tudo fique bem. Temer a vida é já ter se decepcionado tanto que as expectativas não mais fazem diferença, que as esperanças não mais acalentam a alma... Há quem teme a vida, quem teme a morte, e vice-versa, mas não conheço quem não tema ambas... Nós realmente somos como as estrelas, dispostas num céu imenso de forma confusa, ora aglomeradas, ora distintas num canto escuro do infinito, e quando menos se espera chega a hora de cair... Mesmo depois de se apagarem as estrelas emanam seu brilho, e assim também somos nós... Afinal, como uma amiga minha sempre diz... Quem quase morreu ainda vive, porém quem quase vive já morreu. Eu continuarei lendo obtuários, continuarei sentindo por quem foi... Continuarei inclusive vendo o brilho das estrelas no céu, mesmo que já tenham se apagado, mas mesmo temendo a vida, e não temendo a morte, eu não irei apagar para que somente depois meu brilho se espalhe... Devemos brilhar enquanto fontes de luz própria, pois se por acaso chegar o dia em que não mais isso se faça possível, preferível se lançar fortemente ao chão, pelo simples fato de não admitir uma existência medíocre e parasita, dependendo de luz alheia e brilho falso. Mas seja como for, nem as estrelas, nem as pessoas... Nenhuma delas perde a essência, a história, a virtude, a glória... Sejamos então um pouco mais estrelas, quem sabe assim se descubra o verdaeiro significado da luz.
E creio que se as taxas elétricas continuarem a subir, só mesmo à luz de estrelas pra se conseguir viver!
